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Candidato propõe usar mais IA e contratar menos servidores públicos

29/09/26 às 13:23 por Sindjuf/SE
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Em entrevista recente à CNN, o candidato à Presidência pelo Avante, Augusto Cury, defendeu uma reestruturação profunda na administração pública brasileira, pautada na expansão massiva da Inteligência Artificial (IA). O que preocupa é a ideia de substituir os servidores públicos pelo uso de ferramentas de IA.

 

O candidato propõe usar a tecnologia para suprir as demandas operacionais e reduzir custos da máquina estatal. "Se tivermos responsabilidade de gerir de maneira adequada e inteligente toda a máquina pública e não contratássemos mais colaboradores e entrássemos com inteligência artificial e digitalizássemos toda a máquina pública, nós certamente conseguiríamos economizar o suficiente", declarou Cury.

 

Para os atuais servidores, o médico e escritor best seller sugere um programa de avaliação de desempenho atrelado à capacitação para a operação de ferramentas tecnológicas. Além do plano de criar uma estrutura específica voltada para a Inteligência Artificial e Robótica, Cury pretende enxugar o número de ministérios. 

 

A proposta parece apontar para uma direção de modernização e eficiência do Estado, mas, na verdade, trata o serviço público como um fluxo operacional de uma empresa privada e vê o funcionalismo como mero executor de funções burocráticas passíveis de automatização.

 

O Brasil sofre com a escassez crônica de pessoal na ponta da prestação de serviços básicos: médicos no SUS, professores na educação básica, policiais, auditores e peritos. Ferramentas de IA não examinam pacientes, não gerenciam salas de aula hiperlotadas e não realizam patrulhamento ostensivo. Substituir a recomposição dessas carreiras por automação resulta no sucateamento do atendimento direto ao cidadão. 

 

A administração pública lida com direitos fundamentais, vulnerabilidade social e decisões de alto impacto moral e jurídico. 

 

Ainda tem outro grande problema. Embora a promessa de "economizar o suficiente" soe bastante atraente, a substituição da força de trabalho humano por infraestrutura de IA envolve custos elevados e contínuos, como licenciamento de software proprietário e dependência das big techs; custos contínuos de infraestrutura de nuvem, segurança da informação e cibersegurança; além do absurdo gasto de água para manter datacenters em funcionamento. 

 

Portanto, em vez de reduzir custos, o Estado corre o risco de migrar sua folha de pagamento para despesas milionárias com fornecedores privados de tecnologia, perdendo soberania sobre seus próprios dados e processos e precarizando.

 

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