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Juros da dívida ultrapassam R$ 1,1 trilhões, e mercado financeiro pressiona por mais
O pagamento de juros da dívida pública consumiu R$ 1,111 trilhão dos cofres públicos no acumulado de doze meses até maio deste ano — o equivalente a 8,48% do PIB brasileiro. E a sangria só cresce: no mesmo período do ano anterior, o valor havia sido de R$ 946,1 bilhões.
Só em maio de 2026, o setor público (União, estados, municípios e estatais) destinou R$ 107,5 bilhões ao pagamento de juros, ante R$ 92,1 bilhões em maio de 2025.
Esse desvio de recursos públicos para o pagamento de juros e amortização da dívida decorre, sobretudo, da manutenção da Selic em patamares elevados. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em 16 e 17 de junho, a diretoria do Banco Central reduziu a taxa em apenas 0,25 ponto percentual, de 14,50% para os atuais 14,25% ao ano — um ritmo de queda insuficiente diante do tamanho do problema.
Bancos e demais agentes que especulam com a dívida pública pressionam tanto pelo fim da redução da Selic quanto pela aprovação da PEC 65/2023, que transformaria o Banco Central de autarquia em empresa pública. Na prática, a medida poderia transferir o controle sobre o orçamento, as taxas de juros e a política econômica do país das mãos do Estado para o mercado financeiro.
Com isso, a prioridade dada ao pagamento da dívida ficaria ainda mais explícita, enquanto investimentos em áreas sociais, geração de emprego e desenvolvimento econômico seriam relegados a segundo plano. A autonomia financeira total concederia ao BC o poder de definir seus próprios salários e de operar com menos fiscalização do que outros órgãos públicos — afrouxando controles e dificultando uma atuação técnica, transparente e comprometida com o interesse público.
Trata-se, portanto, de colocar o Banco Central a serviço de interesses privados, em detrimento do serviço público. Por isso, é fundamental barrar a PEC 65 e cobrar dos senadores que façam exatamente isso.