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Corrida presidencial 2026 já tem muitos nomes, mas apenas uma mulher

05/05/26 às 14:06 por Sindjuf/SE
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Estamos em ano eleitoral e a disputa pela presidência da República, ainda que não oficialmente, já começou. Até agora, temos 13 pré-candidatos, muitos deles desconhecidos da maioria da população e filiados a partidos igualmente estranhos. São eles: Cabo Daciolo (Mobiliza), Ciro Gomes (PSDB), Flávio Bolsonaro (PL), Rui C. Pimenta (PCO), Aldo Rebelo (DC), Augusto Cury (Avante), Edmilson Costa (PCB), Hertz Diaz (PSTU), Lula (PT), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Samara Martins (UP).

 

A movimentação de tantos pré-candidatos é reflexo de como a política brasileira funciona nos bastidores. É claro que nem todos necessariamente confirmarão sua candidatura. Mas a pré-candidatura faz parte da estratégia de alguns partidos. Muitos deles lançam nomes apenas para ganhar tempo de TV, acesso a debates e poder de barganha em futuras coligações. Para uns, é uma forma de demarcar território; para outros, de dizer que existe.

 

Além disso, tem o objetivo de fortalecimento partidário, uma vez que candidaturas presidenciais ajudam a "puxar" votos para deputados e senadores, vital para os partidos aumentarem suas bancadas e, consequentemente, o acesso ao Fundo Partidário. 

 

Desigualdade de gênero

A desigualdade de gênero está presente também na política. Por isso, é tão baixa a representatividade feminina nas eleições e no Congresso. Hoje, somente Samara Martins (UP) aparece como pré-candidata consolidada. Se o cenário se mantiver assim, 2026 poderá ser o pleito com a menor representatividade feminina na disputa presidencial em duas décadas, muito embora as mulheres sejam a maioria do eleitorado brasileiro - 52,47%, segundo dados de 2024 do TSE. 

 

A pouca (às vezes, até nenhuma) participação das mulheres na política não é mero detalhe. É também o retrato da sociedade machista em que vivemos. Primeiro: apesar de existirem cotas de 30% para candidaturas proporcionais (deputados), em cargos majoritários como a Presidência, as cúpulas dos grandes partidos são predominantemente masculinas e tendem a priorizar nomes de homens que já ocupam cargos de chefia, como governadores, para a disputa principal. 

 

Também tem a questão do financiamento das campanhas, que, historicamente, flui com mais facilidade para candidatos homens. Sem o controle dos cofres partidários ou grandes redes de financiamento privado, as mulheres têm muito mais dificuldade em viabilizar uma candidatura nacional competitiva. 

 

E não é só isso: na política, a mulher experimenta adversidades que não afetam o homem com a mesma intensidade. A briga entre os homens geralmente se restringe ao campo político-ideológico. Já as mulheres costumam enfrentar ataques pessoais e desqualificação intelectual. 

 

Para finalizar, é preciso dizer: a sobrecarga física e mental imposta às mulheres pela estrutura patriarcal delega a elas a maior parte do trabalho doméstico e de cuidado com filhos e idosos, e isso dificulta a dedicação integral que uma campanha presidencial exige. 

 

 

 

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