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Bilionários no poder: Oxfam denuncia a captura dos Estados pela elite econômica e a repressão global

11/03/26 às 12:49 por Sindjuf/SE
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A política está cada vez mais infestada pelos bilionários. Grupos econômicos cada vez mais ricos e restritos estão estrategicamente se tornando os grandes tomadores de decisões do mundo. Os governos governam para agradar a elite, enquanto reprimem protestos e enfraquecem direitos sociais e democráticos. 

 

Um relatório da Oxfam, lançado no Fórum Econômico Mundial, em Davos, aponta que bilionários têm hoje quatro mil vezes mais chances de ocupar cargos públicos do que a população em geral, resultado de um sistema moldado para preservar privilégios e bloquear qualquer tentativa de redistribuição.

 

Intitulado ‘Resistindo ao domínio dos ricos: protegendo a liberdade do poder dos bilionários’, analisa a atuação política dos super-ricos em escala global e tem como principal tese a captura dos Estados pela elite econômica.

 

Para a diretora-executiva da Oxfam Brasil, Viviana Santiago, essa dinâmica representa uma ameaça direta às democracias. Ela avalia que “esses grupos pressionam os Estados e, ao mesmo tempo, começam cada vez mais a compor os próprios governos”.

 

De acordo com Viviana, o poder dos bilionários não se limita a influenciar políticas públicas. Ela afirma que essas estratégias de dominação incluem também a repressão a quem contesta o modelo vigente. “A atuação desses Estados deixa de ser voltada à redistribuição e ao reconhecimento da cidadania e passa a ser voltada à repressão”, diz ao Brasil de Fato.

 

A Oxfam destaca que os retrocessos democráticos estão diretamente ligados ao aprofundamento da desigualdade e o aumento da repressão a vozes dissidentes. Com o enfraquecimento de instituições, censura e perseguição a opositores, é alto e grave o risco de erosão democrática. 

 

O caso Trump

O relatório descreve o avanço global de uma elite política formada por bilionários ou diretamente conectada a seus interesses. Um exemplo citado pela Oxfam é o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, em 2025. A organização aponta que a nova gestão estadunidense seguiu uma agenda abertamente pró-bilionários, promovendo cortes de impostos para os super-ricos, fragilizando regulações sobre grandes corporações e impedindo avanços na taxação de lucros e dividendos e, mais, fazendo isso para enriquecimento próprio.

 

Em dezembro de 2025, segundo levantamento da revista Forbes, o patrimônio pessoal de Trump chegou a US$ 6,7 bilhões (cerca de R$ 37 bilhões) após a valorização de ações da Trump Media, sua empresa de mídia e tecnologia.

 

A Oxfam destaca que sua administração “atuou para enfraquecer legislações de proteção trabalhista, manter monopólios e frear qualquer avanço na tributação dos setores mais lucrativos, como o de inteligência artificial”. Esse tipo de governo atua sistematicamente “para impedir a redistribuição de renda e aprofundar a exploração”.

 

Enquanto o topo da pirâmide concentra poder político, as vozes dissidentes são silenciadas. O relatório da Oxfam aponta que, em 2024, houve mais de 140 protestos significativos em 68 países. Em muitos deles, a resposta foi violenta. No Quênia, manifestações contra a nova lei fiscal resultaram em 39 mortes e 71 desaparecimentos forçados, com denúncias de tortura e sequestros. Já na Argentina, sob o governo de Javier Milei, a repressão a atos sindicais deixou mais de mil feridos, 33 deles baleados no rosto com munição não letal.

 

A organização sustenta que esse padrão de repressão não é exceção, mas parte da lógica dos “Estados capturados” descritos no relatório. “Esses governos atuam cada vez mais como representantes das oligarquias e se distanciam da função de garantir direitos e igualdade”, resume Viviana.

 

O relatório também alerta para o uso das redes sociais como ferramenta de vigilância e repressão política. Em um dos casos citados, autoridades quenianas utilizaram o X (ex-Twitter) para rastrear opositores. Segundo estudo da Universidade da Califórnia, após a compra da plataforma por Elon Musk, o discurso de ódio aumentou cerca de 50%.

 

Com informações do Brasil de Fato

 

 


 

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