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Entre a violência e a desigualdade, ser mulher custa caro

06/03/26 às 11:20 por Sindjuf/SE
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Temos visto, com estarrecimento, uma sequência de crimes que chocam não pela novidade, mas pelo nível de brutalidade e pela frequência dos casos. A verdade é nua e crua: para muitas mulheres, o simples exercício da liberdade de escolha ainda pode virar uma sentença de morte. A luta feminina vai muito além da busca por espaço e valorização no mercado de trabalho; ainda hoje, é uma luta pelo direito básico de viver e ser quem se é.

 

O feminicídio não é um crime passional, mas um crime de poder, é cultural. A rejeição da autonomia da mulher, fomentada por discursos de ódio, sobretudo na internet, tem gerado violência extrema. 

 

A menina estuprada por vários numa emboscada; mãe que vê a vida dos filhos ceifada pelo próprio pai, que não aceitava o fim do casamento; a jovem esfaqueada por recusar um pedido de namoro; a mulher que levou mais de 60 socos de seu parceiro dentro de um elevador; a vítima arrastada por quilômetros presa ao carro do ex-namorado.

 

Esses atos são o ápice de um sistema que, a todo custo, objetifica as mulheres, trata-as como coisa e exige delas uma posição de subordinação. Ser mulher custa caro. E não estamos falando de dinheiro.

 

Mais mulheres, menores salários

Essa estrutura de controle se repete em diferentes âmbitos e camadas da sociedade. Por exemplo, no mercado de trabalho. No serviço público brasileiro, as mulheres são a maioria numérica: 6 em cada 10 funcionários civis da ativa são mulheres. Tanto no Poder Judiciário, quanto no Executivo, nas três esferas. 

 

No entanto, essa maioria desaparece à medida que se sobe na hierarquia. Quanto mais alta a posição, menos mulheres são encontradas. Além disso, embora em maior número no serviço público em geral, as mulheres sofrem com a desigualdade de gênero em relação à remuneração: elas ganham em média 25% a menos que os homens. O que pode ser explicado pela baixa ocupação de cargos mais altos.

 

A média salarial dos funcionários públicos homens é R$ 6.207,72, enquanto a das mulheres é R$ 4.610,95, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2021. Ou seja, as mulheres recebem 74,28% da remuneração paga aos servidores do sexo masculino.

 

Para essa média salarial, foram consideradas todas as esferas, poderes e administração direta e indireta. As altas remunerações presentes nos poderes Judiciário e Legislativo e no Executivo Federal elevam essa média de remuneração. Importante lembrar que no nível municipal, onde há a maior quantidade de profissionais públicos, essa média é de R$ 2.616, enquanto no nível federal, a é R$ 10.029.

 

Já dados do  Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontam que as mulheres ganham, em média, 19,4% a menos que homens, diferença que varia de acordo com o cargo. No caso de ocupações de dirigentes e gerentes, por exemplo, a diferença de remuneração sobe para 25,2%.

 

O Poder Legislativo, onde as leis são criadas, permanece como um espaço majoritariamente masculino.

 

Parabéns pelo quê?

Portanto, a celebração do Dia da Mulher não pode ser reduzida a flores, bombons e parabéns. Homenagens vazias enquanto as estruturas de poder permanecerem intactas. Existe um fio invisível, mas resistente, que liga a agressão física no elevador à disparidade salarial no serviço público: a ideia de que o corpo e o trabalho feminino valem menos. 

 

Enquanto os espaços de decisão forem redutos masculinos e a autonomia feminina for punida com violência ou subordinação financeira, a igualdade será apenas uma teoria. É preciso que a indignação diante de tamanhas atrocidades contra a mulher se transforme em uma reforma prática nas instituições, garantindo que o direito de viver seja acompanhado pelo direito de liderar, prosperar e ser plenamente dona de seu destino.

 

 

 

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