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Giro de Notícias

30/01/26 às 11:35 por Sindjuf/SE
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Taxa Selic é mantida em 15%. Governo federal destina imóveis à reforma agrária. Decisão do STF irrita funcionários dos Correios. Tragédia de Brumadinho completa sete anos, e novos rompimentos acontecem em Minas Gerais. Mato Grosso lidera a lista de trabalho escravo de 2025. Confira o Giro de Notícias.

 

15% mantidos

Em reunião nesta quarta-feira, 28, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu manter a taxa básica de juros (Selic) em 15%. Já são seis meses neste patamar, o maior em 20 anos. Fazendo do Brasil o segundo país no mundo com maior taxa de juro real, com uma taxa que chega a 11% ao ano. A decisão do colegiado de diretores do BC, chefiados por Gabriel Galípolo, se dá com a inflação controlada e que segue em movimento de queda no Brasil, além da redução das expectativas de inflação e do dólar recuando frente ao real. A atividade econômica também está em claro movimento de desaceleração, mas o Copom sinalizou que o ciclo de corte se dará a conta-gotas. No comunicado, o Copom diz que “avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada” e afirma que “em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros”. “O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião”. A próxima reunião será apenas em março.

 

Reforma agrária

O governo federal publicou, nesta terça-feira, 27, decretos que declaram sete imóveis rurais de interesse social para fins de reforma agrária. As áreas somam cerca de 5,7 mil hectares e poderão ser destinadas à criação de novos assentamentos do Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA). As desapropriações abrangem imóveis localizados em cinco estados: em municípios de São Paulo, Minas Gerais, no Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Rio Grande do Norte. Segundo o governo, os imóveis foram considerados improdutivos ou em desacordo com a função social da terra, princípio previsto no Estatuto da Terra, de 1964. A legislação estabelece que a propriedade rural deve atender simultaneamente a critérios de aproveitamento econômico, preservação ambiental, respeito às relações de trabalho e promoção do bem-estar social. Com a publicação dos decretos, caberá agora ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) dar início aos procedimentos administrativos. Entre as etapas previstas estão a vistoria dos imóveis, a avaliação agronômica, ambiental e econômica e o cálculo do valor da terra nua, além de eventuais indenizações por benfeitorias realizadas de boa-fé, conforme estabelece a legislação.

 

Correios

O Sindicato dos Correios de São Paulo criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que resultou na suspensão de parte da sentença do dissídio coletivo de greve dos trabalhadores dos Correios. Essa sentença havia sido proferida pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) em 30 de dezembro de 2025. A suspensão foi um desdobramento de um recurso apresentado pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), afetando cláusulas significativas conquistadas no julgamento. Para o sindicato, a medida do STF se configura como um novo impedimento à garantia de direitos da categoria, pois adota uma interpretação jurídica que ignora a realidade vivida pelos trabalhadores dos Correios. A entidade sindical argumenta que a liminar prioriza os interesses econômicos da empresa e, com isso, fragiliza a atuação da Justiça do Trabalho em um cenário de constantes ataques aos direitos trabalhistas. O sindicato também condenou a postura da direção dos Correios, que, mais uma vez, escolheu recorrer ao STF em vez de buscar a negociação com os trabalhadores.

 

Brumadinho

No último domingo, 25 de janeiro, completou-se sete anos do rompimento da barragem de rejeitos de mineração da Vale em Brumadinho (MG). O crime deixou 272 pessoas mortas e atingiu milhares de pessoas em 26 municípios da bacia do rio Paraopeba, além de irreparáveis danos à natureza. Mesmo assim, até hoje, ninguém foi preso. E mais, a mineradora voltou a operar no mesmo local, o Córrego do Feijão. Segundo o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a Vale diz ter indenizado cerca de 17 mil pessoas, o que representa apenas 10% dos atingidos já reconhecidos. Processos judiciais aguardam decisões, e projetos comunitários para reparação econômica seguem sem implementação efetiva. O rio, contaminado, foi proibido de usar. A Vale, responsável por sua limpeza, fez apenas 3 km do trabalho. De acordo com um estudo realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), 70% dos domicílios do município relatam algum tipo de adoecimento físico ou mental, provando que os impactos da tragédia persistem até hoje. Foram identificados sintomas como estresse, insônia, ansiedade, hipertensão e episódios depressivos, enquanto 52% dos adultos passaram por tratamento psicológico ou psiquiátrico desde a tragédia. 

 

Mais rompimentos

O povo da região não tem sossego. Parece mentira, mas na madrugada de domingo para segunda, 26, duas barragens de mineração da Vale, entre Congonhas e Ouro Preto, se romperam. A primeira barragem continha minério e outros materiais e atingiu o rio Goiabeiras, que passa pela área urbana do município. No segundo rompimento, houve extravasamento da água para o rio Maranhão, que fica na mesma região. Para piorar, na quarta-feira, 28, a população de Congonhas foi afetada por outro rompimento, dessa vez da barragem de mineração da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que atingiu o rio Maranhão, afluente do rio Paraopeba.

 

Trabalho escravo

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou nesta quarta-feira, 28, os dados referentes às operações de combate ao trabalho escravo em 2025 no Brasil. No ano passado, o Mato Grosso foi o estado com maior número de trabalhadores resgatados, com um total de 607. Desses, 563 foram encontrados em um mesmo empreendimento, a obra de uma usina de etanol da empresa 3tentos, de responsabilidade da TAO Construtora, no município de Porto Alegre do Norte. Esse foi o maior resgate do ano. Em segundo lugar, está a Bahia, com 482 casos; seguida de Minas Gerais, com 393; São Paulo, com 276; e Paraíba, com 253 casos. Com relação ao tipo de atividade onde os trabalhadores prestavam serviços, as obras de alvenaria se destacam, com 601 resgatados, incluindo o caso de Porto Alegre do Norte; administração pública em geral, com 304; construção de edifícios, com 186; cultivo de café, com 184 pessoas resgatadas, e extração e britamento de pedras e outros materiais para construção, com 126. Em 2025, 68% dos trabalhadores retirados de condição análoga à escravidão foram resgatados em áreas urbanas. Em anos anteriores, esse tipo de resgate era mais comum no meio rural.

 

 

 

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