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Giro de Notícias

Ataque à democracia: parlamentares tumultuam e obstruem trabalhos na Câmara. Presidente do Senado frustra extrema direita ao se negar a pautar impeachment de Alexandre Moraes. Vice-presidente da Câmara diz que, se assumir a presidência interinamente, pautará a anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro. Luta por ampliação da licença-paternidade ganha apoio da Sociedade Brasileira de Pediatria. Selic deve continuar nas alturas, e os bancos lucram cada vez mais com isso. Veja a seguir o Giro de Notícias desta semana.
Obstrução
Depois de mais de 30 horas obstruindo os trabalhos, a oposição bolsonarista deixou o plenário, e a Câmara pode ser retomada na noite de quarta-feira, 6. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), teria ameaçado suspender os mandatos dos parlamentares, mas segundo os deputados do PL e aliados, o recuo só ocorreu após um suposto compromisso da Presidência da Casa de pautar a anistia aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro e o fim do foro privilegiado. Motta defendeu a democracia brasileira e condenou o motim da oposição no plenário, mas também disse que não haverá “preconceito” contra nenhuma pauta, “da esquerda, da direita, dos partidos de centro”. Assim, deu brecha à interpretação favorável à queixa dos baderneiros. O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que, na próxima semana, os trabalhos serão abertos com os dois temas. Líderes governistas, no entanto, afirmaram que nenhum compromisso foi assumido oficialmente. Motta não comentou o assunto até o momento.
Sem impeachment
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), frustrou a extrema direita ao dizer, ontem, 7, em reunião com líderes partidários, que não dará andamento ao pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, mesmo que a pauta conte com apoio de todos os demais senadores. “Nem se tiver 81 assinaturas, ainda assim não pauto impeachment de ministro do STF para votar”, disse Alcolumbre na presença de senadores da base do governo e da oposição. A fala do senador aconteceu depois de senadores bolsonaristas protocolarem mais um pedido de impedimento do ministro, que contou com 41 assinaturas, número suficiente para a aprovação da admissibilidade do processo, caso o presidente do Senado aceitasse dar andamento ao pedido. De acordo com o Senado Federal, há 59 pedidos de impeachment de ministros do STF. Desses, 28 têm Moraes como alvo, que é relator da ação penal da tentativa de golpe de Estado.
Anistia
E por falar em pautas bolsonaristas, o deputado federal Altineu Côrtes (PL-RJ), vice-presidente da Câmara, disse que colocará em votação a anistia dos condenados pelo 8 de Janeiro, se Hugo Motta (Republicanos-PB) se ausentar do comando da Casa. A declaração veio na terça-feira, 5, um dia após Bolsonaro ter sua prisão domiciliar decretada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. Parlamentares apoiadores de Bolsonaro prometem obstruir os trabalhos no Congresso em retaliação à decisão de Moraes. Apesar da pressão, Motta decidiu não pautar o requerimento de urgência do projeto. O texto atual do projeto de anistia não contempla Bolsonaro.
Licença-paternidade
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou, nesta terça-feira, 5, uma carta aberta a parlamentares brasileiros pedindo a aprovação de projetos de lei que tratam da ampliação da licença-paternidade para, pelo menos, quatro semanas. Os projetos aguardam desfecho há anos. Para os pediatras, o modelo vigente no Brasil, que concede apenas cinco dias de licença ao pai, está em desacordo com evidências científicas que tratam dos benefícios da presença paterna nas próximas semanas de vida do bebê. A entidade se soma à Coalizão Licença Paternidade (CoPai), que reúne especialistas, organizações da sociedade civil e entidades científicas em defesa da parentalidade ativa como estratégia de desenvolvimento humano e justiça social. O grupo defende uma licença-paternidade de 30 a 60 dias e afirma que ampliar esse tempo repercute positivamente na saúde e no desenvolvimento das crianças, além de fortalecer os laços familiares.
Selic continua nas alturas
Depois de decidir manter a taxa básica de juros (Selic) em 15%, o Banco Central informou que ela se manterá assim por um “período bastante prolongado”. Em ata, o Comitê de Política Monetária (Copom) diz que “os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em prosseguir no ciclo de ajuste caso julgue apropriado”. A economia real está em desaceleração, e a decisão do Copom trava os investimentos e o consumo, sob o pretexto de controlar a inflação. O IPCA (Índice de preços ao consumidor) sinaliza arrefecimento, após o pico registrado em fevereiro deste ano. O Banco Central ainda defende que o governo faça cortes de despesas sociais e de investimentos públicos para garantir a transferência dos recursos públicos para pagar juros a bancos e demais rentistas.
Lucros dos bancos também
Os três maiores bancos privados do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander, alcançaram um lucro líquido conjunto de R$ 21,2 bilhões no segundo trimestre de 2025. Esse montante representa um crescimento de 17,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Individualmente, o Itaú registrou o maior lucro, com R$ 11,5 bilhões, um aumento de 14,3%. O Bradesco somou R$ 6,1 bilhões, com um crescimento expressivo de 28,6%. Já o Santander alcançou R$ 3,7 bilhões, o que representa uma alta de 7,5%. Esses resultados impressionantes e crescentes refletem diretamente um cenário de altas taxas de juros no país. A taxa Selic, que serve de base para os juros cobrados pelos bancos, mantém-se em patamar exorbitantemente elevado. Esse cenário contribui significativamente para que os lucros bancários continuem em ascensão, já que os juros aplicados em empréstimos e financiamentos, por exemplo, geram uma receita considerável para essas instituições.